A maioria dos brasileiros aprende a língua portuguesa com os seus familiares. Freqüenta escolas regulares nas quais tem aulas orais ministradas em português. E cresce ouvindo sobre a importância de aprender a falar outras línguas para sua formação e qualificação profissional. Muitos desses acreditam que ser brasileiro e falar português são sinônimos, mas não são.

Por o Brasil se tratar de um país com extensão continental, há presença de diversidades na cultura, nos hábitos, na fala e outros aspectos de acordo com cada região. Contudo, há uma outra maneira de representar a língua falada, na cultura dos surdos, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Que constitui a inserção das comunidades surdas na sociedade, propiciando os ouvintes e não ouvintes se comunicar uns aos outros. Esse é basicamente o ponto de partida para atentar a importância da LIBRAS na comunicação com o mundo. Em um passeio rápido pelos diversos estados brasileiros, é fácil perceber as diferenças do português falado.

Palavras iguais com usos divergentes, expressões específicas de determinadas regiões, pronúncias mais abertas ou fechadas, falas cantadas, mansas ou aceleradas. Esses fatores territoriais permanecem na prática da LIBRAS, que são naturais das comunidades surdas brasileiras. De acordo com a lei de 2002, entende-se como Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) a forma de comunicação e expressão em que o sistema de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui de fato um sistema lingüístico de transmissão de idéias e acontecimentos. Essas transmissões se dão através da configuração das mãos, do ponto de articulação, do movimento, da expressão facial e corporal e da orientação da mão. Se, por ventura, um desses aspectos não for bem executado isso comprometerá totalmente o entendimento da língua.

 A partir do Censo de 2000 realizado pelo IBGE constatou-se que cerca de 5,7 milhões de pessoas no país tem algum problema auditivo. O reconhecimento da Língua se deu mais precisamente dois anos após a pesquisa. Esta serviu de alerta como forma de regulamentar a necessidade de interação entre as pessoas que tem deficiência no canal oral-auditivo.

A inserção da Língua na vida dos brasileiros requer o seu ensino em todas as esferas educacionais, a fim de que, desde a infância, haja interação entre ouvintes e não-ouvintes. Outra possibilidade de divulgação é a formação de instrutores e intérpretes, além da presença desses profissionais nos locais públicos e a sua participação nas políticas de saúde, educação, trabalho, turismo, esporte e lazer. E, finalmente, o uso da Libras pelos meios de comunicação e nas relações cotidianas entre todas as pessoas, como forma de inclusão social.

A conquista deste direito traz impactos significativos na vida social e política da Nação brasileira. O provimento das condições básicas e fundamentais de acesso à Libras se faz indispensável.

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